A busca constante pela informação, de forma ágil, e a adoção da internet por um público constantemente crescente, estão entre possíveis fatores que contribuiram para a mudança do site www.globo.com. Desde sua fundação, em 1999, o site apresentou diversas alterações, desde suas apresentações, até as concepções de notícias, na busca insistente de facilitar a leitura ao cobiçado público.
Analisando a página principal atualizada em 10 de maio de 2000 e a atual, de 31 de agosto de 2007, podemos perceber grandes diferenças. Entre as mais grosseiras, está a incompatibilidade apresentada por alguns programas, em 2000, que dificultavam a leitura por omitirem certas letras ou acentuações, como o til (~) ou o ç, confundindo a interpretação do usuário. Ao abrir, a página também não mostra as imagens das principais matérias, nem os vídeos.
Naquela época, a página era multicolorida, como continua sendo, mas as cores eram expostas de forma mais agressiva. Havia espaço para chat de relacionamentos, que naquela época estava na moda. Um elefante rosa representava a globo.com. Os logotipos e logomarcas eram ultrapassados se comparados aos atuais, como a campanha dos produtos Seda, veiculada na página atual da globo.com, onde os shampoos e condicionadores mostram acompanhar as tendências da moda desde a embalagem, representada na cor dourada. As chamadas eram sobre política, futebol, curiosidades e assuntos gerais.
Sete anos mais tarde, a página está renovada, mais acessível, limpa, com manchetes mais atrativas, que atingem diretamente o público alvo da internet (a exemplo dos estudantes, empresários e autônomos), com diversas fotos que mostram um pouco do que cada assunto trata. Assim, se o internauta considerar conveniente e atrativo, irá clicar sobre o ícone para saber mais sobre determinado assunto.
O número de notícias também aumentou consideravelmente. Passa a impressão de que as matérias dão preferência às questões comunitárias, especialmente do Brasil, mas também do mundo. O leitor se identifica com a proximidade dos fatos. Continua o espaço para relacionamentos. O namoro, aliás, nunca sai de moda. Seguem matérias de curiosidades, política, futebol, e outras de temas atuais, como novelas, entretenimento, revistas e jornais, a vida dos famosos, as notícias mais lidas e mais procuradas; enfim, muito material inova o site.
Acredito que hoje está muito mais fácil acessar a www.globo.com e encontrar os assuntos atuais que há sete ou oito anos atrás, quando o espaço foi inaugurado. O acesso ficou mais ágil e já está veiculando, inclusive, com imagens feitas pelo celular. Marshall Mcluhan, no texto “Os Meios de Comunicação como extensões do homem” já dizia que, como passar do tempo, a escrita deveriam e poderiam continuar exatamente iguais, podendo se diferenciar pelos locais de publicação. Mas a tecnologia seria totalmente inovada. A luz elétrica possibilitou as mudanças que Mcluhan anteviu.
No mesmo material, Mcluhan cita que o General David Sarnoff declarou que os produtos da cia moderna não são bons nem maus e que os modos com que são empregados determinam seu valor. Com isso ele acreditava que a imprensa veiculava muita droga, mas havia disseminado a Bíblia e os pensamentos dos profetas filósofos. Mcluhan percebeu que nunca ocorreu ao General que qualquer tecnologia pode fazer tudo, menos somar-se ao que já somos.
Mcluhan interpreta que o Cardeal Newman, ao dizer que Napoleão Bonaparte compreendeu a gramática pela pólvora, referiu-se que Napoleão vencia as lutas porque utilizava da tecnologia, o que não era comum naquela época.
Conforme Mcluhan, para estabelecer os marcos da própria cultura, permanecendo à margem das tendências e expressões exercidas por forma técnica de expressão, basta visitar uma sociedade onde certa forma ainda não foi sentida ou um período histórico onde ela ainda era desconhecida. São percebidas mudanças diversas, como vocabulário e comportamento.
Mcluhan acredita que as questões de largo alcance dos meios sejam impostas a nossa consideração. Os meios tecnológicos, em seu ponto de vista, são recursos naturais ou matérias-primas, como o carvão, o algodão e o petróleo. Numa sociedade onde uns dependem dos outros, a êfase em certas matérias-primas básicas é responsável pela extrema instabilidade da economia. E a evolução da comunicação é uma delas.